Infográfico: Inovação tática em tempos de Copa

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Alberto Helena Jr., iG São Paulo | 23/03/2010 11:33

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O Brasil é pentacampeão mundial, título exclusivo, além de maior usina de craques do planeta. Desde que foi instituído pela Fifa o prêmio de melhor jogador do mundo, o Brasil emplacou Romário, Rivaldo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, duas vezes, e Ronaldo Fenômeno, três. Não há outro país com tantos premiados nessa escolha do que o nosso, meninos.

Talvez por isso mesmo, pela excelência inalcançável de nossos craques, que vem desde os tempos primevos de um Fried, um Heitor, um Neco, em geral, gênios que prescindem de orientações específicas ou táticas adicionais, nossos treinadores não alcançaram, no concerto mundial, a mesma dimensão.

Assim de pronto, dois nomes são lembrados, entre os que romperam as barreiras europeias: Otto Glória, com o Benfica campeão europeu e a Seleção de Portugal de 66, terceira colocada no Mundial da Inglaterra; e Felipão, que dirigiu a mesma Seleção de Portugal e, por um breve período, o Chelsea de Londres.

Mas, Portugal é nosso avozinho, e não conta muito, pois vários técnicos brasileiros por lá vagaram, alguns com muito sucesso. Entre outras coisas, por causa da língua, mais familiar.

Na história da evolução esquemática e tática do futebol mundial, dois outros nomes ganham destaque como pioneiros no seu ofício: Flávio Costa e Zezé Moreira.

Flávio Costa, auxiliar do húngaro Dori Krischner, nos anos 30, no Flamengo de Fausto e cia., aprendeu com o mestre os segredos dos WM. E, dizem, ajudou a derrubar o gringo, que tinha sérios problemas de se comunicar em português ou algo parecido.

Flávio, então, inventou a Diagonal, uma sutil variação do WM, que consistia no seguinte: a linha média – os três médios que protegiam os dois zagueiros (um, central, outro, lateral) postavam em diagonal no meio de campo – o médio (direito ou esquerdo, dependendo da escolha) marcava o ponta correspondente), o centromédio, mais recuado, marcava o meia avançado, e o outro médio funcionava tipo volante, incorporando-se ao meia-armador, que, por sua vez, jogava mais recuado que o outro meia, já um proto meia-ponta-de-lança. Na frente, os três atacantes.

Um rico comerciante português da rua da Alfãndega, cartola do Vasco, onde Flávio fez muito sucesso nos anos 40/50, resolveu levá-lo, no final da década de 40, para Portugal, a fim de que o treinador brasileiro explicasse seu esquema para a seleta plateia de entendidos lusos.

Cândido de Oliveira, jornalista fundador do jornal lisboeta A Bola, que também acumulou as funções de técnico do Benfica e da Seleção Portuguesa, descreveu essa visita no seu histórico livro WM, editado em 1949 em que o autor conta toda a evolução do sistema criado pelo britânico H. Chapman e descarta da Diagonal do nosso Flávio como mera adaptação do esquema original.

De qualquer forma, a Diagonal predominou no Brasil até meados dos anos 50, quando um dos médios foi recuado ao lado do zagueiro central, criando-se, então, a figura do quarto-zagueiro. Assim chamado exatamente porque foi o quarto-zagueiro incorporado à linha de três do WM e da Diagonal (dois laterais e o central).

E foi a Diagonal que acabou produzindo essa confusão que a maioria da mídia e dos torcedores faz em relação à camisa 10, um ícone do nosso futebol. Na Diagonal pela esquerda, em que o médio apoiador investia pela esquerda, o meia-armador recebia a camisa 8, como Didi, no Fluminense e no Botafogo. Na Diagonal pela direita, quando o apoiador avançava pela direita, o armador era o número 10, como Jair Rosa Pinto, por exemplo, no Vasco. Pelé e Zico, por exemplo, herdaram a camisa 10 do sistema Diagonal adotado lá atrás por Santos e Flamengo. Leivinha e Almir Pernambuquinho, por exemplo, meias-ponta-de-lança, utilizavam a 8.

Jair Rosa Pinto, canhotíssimo, usava a 10 no Vasco e a 8 no Santos. Assim como Gérson: 8 no Botafogo, 10 no São Paulo. Era uma convenção meio irracional, convenhamos, pois Zito, destro, apoiava pela esquerda, enquanto Bauer, canhoto, apoiava pela direita.

A ZONA DE ZEZÉ

Mas, enfim, a grande mudança no futebol brasileiro, com alcance universal, embora não reconhecida como tal, foi a realizada por Zezé Moreira, a exemplo de Flávio, um médio direito de muita força e poucos recursos técnico: a chamada Marcação por Zona.

Até os finais dos anos 40, toda marcação era individual: o beque central pega o centroavante, o médio-direito pega o ponta-esquerda e assim por diante. Zezé, de uma família de ilustres treinadores, como Aymoré, campeão do mundo em 62, e Airton, que dirigiu aquele Cruzeiro inesquecível de Tostão, Dirceu Lopes etc., resolveu mudar a escrita, com o Fluminense campeão carioca de 51.

Em vez de cada jogador marcar o seu correspondente, como diante do espelho, Zezé preferiu delimitar zonas de ação, onde seus jogadores combateriam qualquer um que invadisse essa área pré-determinada. E, nenhum, especificamente.

Houve quem reclamasse da excessiva área destinada à atuação do médio-volante, que ia da entrada de sua grande área, até a entrada da área inimiga. Haja fôlego! Mas, Bauer, que cumpriu essa missão na Copa da Suiça tinha fôlego pra dar e vender.

De qualquer forma, esse conceito se espalhou subrepticiamente pelo mundo todo, ano após ano, até derrubar a última barreira, na Copa de 70, no México – a incorruptível Itália de Facchetti, aquele lateral-esquerdo de técnica esplendorosa, que, ao correr atrás de Jairzinho para o meio, abriu o flanco para Carlos Alberto Torres disparar o foguete final da Copa.

 

 

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