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Espanha bate Holanda, vence Copa inédita e fica no topo até 2014

Com vitória por 1 a 0 na prorrogação da final mais violenta da história, espanhóis ingressam na elite do futebol mundial

Daniel Tozzi, enviado iG a Joanesburgo | 11/07/2010 18:02

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A Espanha trocou de clube. Não foi por meio do desempenho que todos esperavam, mas a vitória por 1 a 0 contra a Holanda na prorrogação, neste domingo, no Soccer City, valeu a conquista de sua primeira Copa do Mundo, que, entre outros benefícios, permite à seleção deixar para trás o rótulo de time "amarelão", que fracassa em momentos decisivos. Enfim responde pelo apelido de "Fúria" que carrega desde o início do século passado sem correr o risco de ser ironizada por atletas, jornalistas e torcedores rivais.

Celebrada pelo seu jogo altamente técnico, a Espanha venceu a final mais violenta da história. Foram distribuídos 13 cartões amarelos e um vermelho pelo árbitro inglês Howard Webb, criticado já no intervalo pela imprensa internacional pela sua complacência com o jogo duro, principalmente dos holandeses.

Veja o gol do título espanhol, marcado por Iniesta

Agora, a seleção espanhola vai à próxima Copa, em 2014, disputada no Brasil, em situação ímpar. Chegará ao "país do futebol" com grandes chances de bicampeonato, já que a média de idade da atual base - 26 anos - permite mais um Mundial. Além disso, essa equipe confirma uma supremacia rara na história do futebol.

A Espanha é a segunda seleção, ao lado da Alemanha campeã mundial em 1974, a confirmar na Copa sua supremacia continental. Nenhum outro europeu fez o mesmo, enquanto Uruguai, Argentina e Brasil, os campeões sul-americanos da Copa, nunca venceram o Mundial seguinte às suas conquistas na América.

Foto: AP Ampliar

Iniesta chuta para marcar o gol da vitória

E seja qual fosse o resultado em Joanesburgo, a Copa da África já teria mudado a geopolítica dos campeões mundiais. Além do ineditismo do primeiro Mundial em solo africano, o torneio de 2010 premia também um campeão inédito. Agora, são oito as nações que ostentam o título de campeão mundial de futebol: Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, Uruguai, Inglaterra, França e, por fim, Espanha.

A Espanha era também o único dos grandes centros do futebol que até hoje sequer havia ficado no pódio da Copa do Mundo. Sua melhor colocação havia sido o quarto lugar em 1950, no Brasil. Inglaterra, Itália, França, Portugal e Alemanha, países que junto dos espanhois possuem as principais ligas do mundo, já haviam conquistado títulos, vice-campeonato e ao menos um terceiro lugar em Copas. A Espanha, não. Aos holandeses, resta o gosto amargo de sua terceira final de Copa perdida.

Mas, se tratando de futebol, frustrante foi pouco para a decisão. No lugar de dribles dos holandeses ou rápidas trocas de passes dos espanhois, o que um insatisfeito Soccer City assistiu foi um jogo faltoso ao extremo. Após breve pressão espanhola nos minutos iniciais, principalmente com Sérgio Ramos, o jogo descambou para uma sucessão de cartões amarelo aplicados por Howard Webb.

Uma sucessão de faltas duras - Van Persie em Capdevilla, Puyol em Robben, Van Bommel em Iniesta e Sérgio Ramos em Kuyt - provocou uma avalanche de cartões amarelos para os jogadores faltosos, e protestos do banco de reservas, principalmente o espanhol, pedindo mais rigor do árbitro inglês. O lance do sexto cartão amarelo escancarou a violência da final. Num autêntico golpe de kung fu, De Jong colocou Xabi Alonso no chão por vários minutos. Webb puniu o holandês apenas com mais um cartão amarelo.

Foto: AFP

Iniesta marca e homenageia Dani Jarque, ex-zagueiro do Espanyol morto de ataque cardíaco em 2009

Os criativos da decisão não conseguiam brilhar. Após o sufoco que levou no início, a Holanda acertou seu posicionamento defensivo e neutralizou o trio Iniesta, Xavi e Pedro, que tinham a missão de municiar o artilheiro David Villa. Do lado holandês, o ponta Kuyt se preocupava mais em ajudar Van Bronckhorst a conter as subidas de Sérgio Ramos, enquanto a dupla Sneijder e Robben era neutralizada pela lado direito da defesa espanhola.

O início do segundo tempo seguiu, literalmente, na mesma pegada. Os holandeses tentavam algo com Robben e seguravam atrás como podiam. O resultado disso foi mais um cartão amarelo, desta vez para Van Bronckhorst. Minutos depois, foi a vez de Heitinga receber o cartão dele por entrada dura em David Villa. Até o fim do tempo normal, Heitinga e Capdevilla também seriam punidos por jogo violento.

Apesar do melhor jogo espanhol, a principal chance de gol foi perdida por Robben aos 18 minutos. Sneijder ganhou dividida e lançou o atacante. Pique não conseguiu cortar e sobrou para Casillas, mesmo deslocado, defender com o pé a conclusão do holandês. David Villa deu o troco em gol perdido aos 24 minutos, quando não aproveitou falha de Heitinga em cruzamento da direita e, mesmo sozinho, teve seu chute desviado por Stekelenburg.

Foto: AFP Ampliar

Iniesta beija a taça da Copa; jogador ficou sumido durante o jogo, mas virou herói no final

O rigor na marcação não era mais o mesmo, e a Espanha voltou a pressionar pelo lado direito do seu ataque. Em escanteio ocasionado numa dessas jogadas, Sérgio Ramos subiu livre para o cabeceio, mas mandou sobre o travessão holandês.

Aos 38 minutos, a última grande chance. Novamente com Robben, que ganhou na velocidade de Puyol e invadiu a área. Casillas saiu nos pés do holandês e faz nova boa defesa. Robben reclamou falta no lance e, pela intensidade do protesto, ganhou cartão amarelo. O jogo terminou 0 a 0 e foi para a prorrogação, a segunda final seguida que terminou empatada no tempo regulamentar e a terceira desde 1994.

O jogo continuou tenso no pós-jogo, mas a Espanha tentava mais o gol do que a Holanda, que parecia satisfeita em levar a decisão para os pênaltis. No intervalo, Vicente Del Bosque sacou o artilheiro Villa e colocou Fernando Torres, decepção até aquele momento na Copa do Mundo.

No comecinho da segunda etapa Heiting fez falta em Iniesta, na entrada da área, e recebeu o cartão vermelho. Mesmo com um homem a mais, a Espanha esbarrava na marcação, até os dez minutos do segundo tempo, quando Iniesta recebeu ótimo passe de Fábregas dentro da área e chutou forte, cruzado. O gol do título histórico. O gol que coloca a Espanha no degrau mais alto do futebol mundial.

<span>Kuyt e Piqué correm atrás da bola no início da partida</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Sergio Busquets divide bola com o holandês Giovanni van Bronckhorst</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <strong>Publicidade</strong> <span>Bronckhorst cai sobre Sergio Ramos</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Stekelenburg defende ataque espanhol</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Sérgio Ramos e a jobulani próximos do técnico holandês Bert van Marwijk</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Pedro Rodriguez sai da marcação do holandês Mark van Bommel</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Robin van Persie recebe amarelo pela falta em Capdevila</span> - <strong>Foto: Reuters</strong> <span>Puyol faz falta em Robben</span> - <strong>Foto: Reuters</strong> <span>Puyol divide bola alta com Gregory van der Wie</span> - <strong>Foto: Reuters</strong> <span>Sneijder reclama da marcação do juíz</span> - <strong>Foto: Reuters</strong> <span>Nigel de Jong atinge Xabi Alonso</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Cassila defense ataque holandês e pula sobre Puyol</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>John Heitinga conversa com o goleiro espanhol Casillas</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Puyol cabeceia na área holandesa</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>david Villa na partida contra a Holanda</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Bronckhorst recebe cartão amarelo</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Casillas defende com os pés o chute de Robben</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Robben lamenta chance perdida e Puyol comemora</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Ataque espanhol nos pés de Villa</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Iniesta faz falta em Mark van Bommel</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Casillas defende ataque de Robben</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Joris Mathijsen marca David Villa</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Del Bosque fala com os jogadores antes da prorrogação</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Villa lamenta chance perdida por Fabregas na prorrogação</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Xavi cai entre Heitinga e Gregory van der Wiel</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Espanhóis reclamam com o árbitro</span> - <strong>Foto: Reuters</strong> <span>John Heitinga é expulso no segundo tempo da prorrogação</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Iniesta chuta para marcar o gol da vitória espanhola</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Iniesta comemora o gol do título espanhol</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Jogadores espanhóis comemoram o título</span> - <strong>Foto: AFP</strong>

Como foi o primeiro tempo

4 min - Primeira chance
Após falta cobrada por Xavi, Sérgio Ramos cabeceou para ótima defesa de Stekelenburg. No rebote, o goleiro bloqueou bem o chute de Piqué.

7 min - Erro bobo
Busquets furou na entrada da área e a bola ficou para Kuyt, que bateu para o gol. O chute saiu fraco e facilitou a vida de Casillas.

10 min - Jogada individual
Sérgio Ramos invadiu a área pela direita, fez boa finta em Kuyt e bateu cruzado. Heitinga cortou na pequena área.

11 min - Chute perigoso
Villa recebeu cruzamento na área e bateu de primeira. Acertou o lado de fora da rede.

14 min - Carrinho no tornozelo
Van Persie atingiu Capdevila e recebeu o primeiro cartão amarelo do jogo. Foi a segunda falta dura do atacante holandês.

16 min - Resposta espanhola
Puyol acertou carrinho firme em Robben e também foi advertido pelo árbitro Howard Webb.

17 min - Chute fraco
Sneijder cobrou falta direto para o gol, da intermediária, e Casillas pegou firme.

27 min - Jogo nervoso
De Jong acertou um chute no peito de Xabi Alonso e recebeu o amarelo. Foi o quinto do jogo, pouco depois de van Bommel e Sérgio Ramos receberem os deles.

33 min - Lance inusitado
Por fair-play, Heitinga devolveu a bola para Casillas com um chutão do campo de defesa. A bola pingou e quase encobriu o goleiro, que mandou pela linha de fundo. A Holanda devolveu a bola aos espanhóis na cobrança de escanteio.

36 min - Que lambança
Após cobrança de escanteio da direita, a bola sobrou limpa no segundo pau para Mathijsen, que furou feio e perdeu ótima oportunidade.

42 min - Sem perigo
Xabi Alonso cobrou falta da intermediária e mandou à direita do gol de Stekelenburg.

45 min - Boa oportunidade
Após jogada confusa na área espanhola, Robben pegou a sobra pela direita e bateu rasteiro. Casillas se esticou todo e mandou para escanteio.

Foto: AP

De Jong atinge Xabi Alonso no peito e recebe o cartão amarelo. Primeiro tempo foi violento

Como foi o segundo tempo

2 min - Espanha no ataque
Após cobrança de escanteio da direita, Puyol desviou no primeiro pau e Capdevila, na segunda trave, furou.

6 min - Jogada tradicional
Robben caiu pela direita, cortou para o meio e bateu rasteiro. Casillas pegou bem.

12 min - Boa oportunidade
Após levantamento para a área, Heitinga ganhou de Sérgio Ramos no segundo pau e cabeceou torto. A arbitragem anotou impedimento.

18 min - Perdeu!!!
Sneijder fez lindo passe para Robben, que avançou livre até a área. Ele saiu na cara Casillas, que salvou com a ponta do pé.

24 min - Que desperdício!!!
Navas fez a jogada pela direita e cruzou. Heitinga furou e David Villa ficou na cara do gol, mas chutou em cima do zagueiro.

28 min - Faltou pontaria
David Villa cobrou falta da entrada da área e mandou por cima do gol.

31 min - Mais um gol perdido
Após cobrança de escanteio, Sérgio Ramos subiu completamente livre no meio da área e cabeceou por cima do gol.

35 min - Chuta! Chuta!
Iniesta entrou na área driblando pela direita e teve a chance de concluir para o gol, mas prendeu demais a bola e foi desarmado.

38 min - De novo, Robben
Robben ganhou de Puyol na velocidade e saiu outra vez na cara de Casillas, mas prendeu demais a bola e o goleiro fez a defesa.

Foto: AFP

Robben saiu na cara de Casillas, que fez a defesa com o pé e salvou a Espanha no segundo tempo

Como foi a prorrogação

2 min - Pênalti?
Xavi apareceu em boa condição na área, mas na hora de chutar foi travado por Heitinga. A arbitragem mandou seguir.

4 min - Outro gol perdido!!!
Fábregas ficou na cara de Stekelenburg, que defendeu com os pés e salvou a Holanda

5 min - Mira ruim
Mathijsen apareceu livre na área e cabeceou por cima após cobrança de escanteio. Mais uma boa chance para a Holanda.

8 min - Demorou demais
Iniesta apareceu em boa condição na área, mas prendeu demais a bola e permitiu a recuperação de van Bronckhorst.

10 min - Chute cruzado
Navas invadiu a área pela direita e van Bronckhorst desviou para escanteio.

13 min - Passou perto
Fábregas conduziu até a entrada da área em boa jogada individual e chutou para fora, rente à trave de Stekelenburg.

19 min - Espulsão
Iniesta avançou pelo meio e ia rumo à área. Foi derrubado por Heitinga, que levou o cartão vermelho.

24 min - Erro do inglês
Sneijder cobrou falta da intermediária, a bola desviou em Fábregas e foi para fora. O árbitro marcou só tiro de meta.

25 min - O gol do título!!!
Fábregas fez ótimo passe e deixou Iniesta livre na área. Ele dominou e bateu cruzado, com força.

Foto: Milton Trajano

Vicente Del Bosque festejou a conquista da Espanha. Bert van Marwijk chorou a derrota holandesa

FICHA TÉCNICA
HOLANDA 0 X 1 ESPANHA

Data: 11 de julho de 2010 (domingo)
Horário: 15h30 (de Brasília)
Local: estádio Soccer City, em Joanesburgo
Árbitro: Howatd Webb (Inglaterra)
Assistentes: Darren Cann e Michael Mullarkey (ambos da Inglaterra)
Público: 84.490 torcedores
Cartões amarelos: van Persie, van Bommel, de Jong, van Bronckhorst, Heitinga, Robben, van der Wiel, Mathijsen (Holanda); Puyol, Sérgio Ramos, Capdevila, Xavi, Iniesta (Espanha)
Cartões vermelhos: Heitinga (Holanda)
Gols: ESPANHA: Iniesta, aos 10 minutos do segundo tempo da prrogação

HOLANDA (4-3-3): Stekelenburg, van der Wiel, Heitinga, Mathijsen e van Bronckhorst (Braafheid); van Bommel, de Jong (van der Vaart) e Sneijder; Robben, van Persie e Kuyt (Elia).
Técnico: Bert van Marwijk

ESPANHA (4-4-2): Casillas, Sérgio Ramos, Piqué, Puyol e Capdevila; Busquets, Xabi Alonso (Fábregas), Xavi e Iniesta; Pedro (Jesús Navas) e David Villa (Fernando Torres).
Técnico: Vicente Del Bosque

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