A estreia na Copa 2010 não foi suficiente para a França se livrar das críticas que acompanham o futebol da seleção desde a instável campanha nas eliminatórias europeias. Sem convencer em campo desde então, o time de Raymond Domenech precisa da vitória contra o México, nesta quinta-feira, depois do empate sem gols contra o Uruguai na primeira rodada do grupo A. O duelo acontece no estádio Peter Mokaba, em Polokwane, a partir das 15h30 (de Brasília).
Domenech pode apresentar mudanças na equipe titular contra os mexicanos, em relação aos onze iniciais contra os uruguaios, justamente pelo que se viu na última sexta-feira: uma defesa eficiente e um ataque sem criatividade e talento no momento das conclusões a gol. Variações ofensivas foram testadas nos últimos treinos franceses, e isso torna Thierry Henry e Florent Malouda potenciais candidatos às vagas de Yohann Gourcuff e Nicolas Anelka, que não vivem bom momento. Lesionado desde que se apresentou à seleção, em maio, o zagueiro William Gallas é dúvida e pode ser substituído por Sebastien Squillacci.
Além da falta de inspiração em campo, os "Bleus" terão de responder às críticas de que o relacionamento no interior do elenco é ruim entre alguns jogadores, tidos como individualistas, e de que o técnico não seria competente para fazer o time jogar como pode - o ídolo Zinedine Zidane foi um dos últimos a "detonar" Domenech. Se serve de consolo, o retrospecto francês contra o México é altamente favorável: em seis confrontos na história, sendo três por Copas (1930, 1954 e 1966), foram cinco vitórias europeias e um empate.
Capitão da seleção campeã mundial em 1998, o lateral-esquerdo Patrice Evra não negou a ansiedade que ronda o time poucas horas antes do jogo. "Estamos impacientes, mas ao mesmo tempo confiantes. Todos nós sabemos que é um jogo importante. Jogamos bem contra o Uruguai e se repetirmos a atuação diante do México podemos vencer", avaliou o jogador do Manchester United.
Muita conversa e concentração
O México chega à segunda rodada do grupo na mesma condição da adversária: empatou na primeira partida (1 a 1 com a África do Sul, na abertura do Mundial) e viu o Uruguai pular para a liderança isolada da chave na quarta-feira, graças à vitória por 3 a 0 sobre os sul-africanos. Portanto, vencer é fundamental também para as aspirações de classificação dos mexicanos.
Para preparar os jogadores para o crucial desafio em Polokwane, o técnico Javier Aguirre abusou da conversa com o grupo, que chega para o jogo sem atletas com problemas de lesão ou suspensão. O treinador não deu indicações de que mudará a equipe em relação aos titulares da partida de estreia e chega confiante de que a participação mexicana nesta Copa não se resumirá à primeira fase.
"Não cogitamos ficar fora do Mundial sob nenhuma circunstância. Aconteça o que acontecer, temos a firme convicção de que precisamos ganhar. Vamos jogar como se fosse a última partida", declarou Aguirre, negando que a baixa temperatura esperada para o confronto - próxima à casa dos zero graus Celsius - possa prejudicar o desempenho dentro das quatro linhas.
Autor do único gol do México até aqui na Copa, o zagueiro Rafa Márquez, um dos líderes da equipe, comentou sobre a vantagem de já saber o resultado de África do Sul x Uruguai. "Será bom de certa maneira saber o resultado para nos prepararmos bem para a partida contra a França. Sabemos da qualidade que eles têm e que em qualquer momento são capazes de mudar um jogo", afirmou o jogador do Barcelona, companheiro dos franceses Henry e Eric Abidal, que desta vez estarão do lado oposto.
FICHA TÉCNICA
MÉXICO x FRANÇA
Data: 16 de junho de 2010, quinta-feira
Horário: 15h30 (de Brasília)
Local: estádio Peter Mokaba, em Polokwane
Arbitragem: Khalil Al Ghamdi (Arábia Saudita)
MÉXICO (4-3-3): Pérez; Aguilar, Rodríguez, Osorio e Salcido; Rafa Márquez, Torrado e Juárez; Giovani dos Santos, Franco e Vela. Técnico: Javier Aguirre.
FRANÇA (4-3-3): Lloris, Sagna, Gallas (Squillacci), Abidal e Evra; Toulalan, Diaby e Gourcuff (Malouda); Govou, Ribéry e Anelka (Henry). Técnico: Raymond Domenech.